7 Cantos do Mundo

Driblando o mal da altitude

Quando você se planeja para viajar a algum destino que envolve regiões altas, é inevitável ficar minimamente cabreiro com a reação do seu corpo às altas altitudes. Muito se ouve falar de pessoas que desmaiam, tem piriri, dores de cabeça horríveis, etc. Não é?

Este conjunto de sintomas ocasionados por falta de adaptação às alturas configura o mal da altitude, conhecido no Peru como Soroche. À medida que subimos, há uma diminuição progressiva da pressão atmosférica e, consequentemente, da disponibilidade de oxigênio no ar que respiramos, levando a importantes alterações em nosso corpo.

Não é à toa que a seleção brasileira, por exemplo, chega uma semana antes de um jogo em La Paz, na Bolívia, para treinar o corpo a jogar em condições muito diferentes das nossas – com open bar de oxigênio.

Como lá no alto este importante gás atmosférico é escasso, um simples abaixar para amarrar os sapatos se torna uma experiência interessante, porque dá barato ao levantar (é sério). Fazer uma caminhada mais intensa ou subir escadas então! Se você já chegou um dia a duvidar que tinha um coração dentro do peito, este é o momento que vem para não deixar rastros de dúvidas, porque o bichinho bate forte, viu! Por mais que você não tenha nenhum dos sintomas ruins – assim como aconteceu comigo – sentir falta de ar não é facultativo.

Mas palma, palma, não priemos cânico! Não estou querendo te assustar, apenas te preparar para driblar esse tal de mal da altitude. Certo? Então vamos lá:

Sintomas mais frequentes do mal da altitude (2-3 dias)

  • Dor de cabeça
  • Transtornos de sono
  • Cansaço, agitação, vertigem
  • Transtornos digestivos, náuseas e vômito

Respeite estas 4 regras básicas

  1. Beber antes de sentir sede
  2. Comer antes de sentir fome
  3. Abrigar-se antes de sentir frio
  4. Descansar antes de se sentir cansado

Evite

  • Consumir tabaco e álcool no primeiro dia
  • Comer alimentos gordurosos. Coma porções pequenas, e de preferência carboidratos (açúcares e amido)
  • Fazer grandes esforços físicos nos primeiros dias; descanse ao chegar
  • Tomar tranquilizantes e soníferos
Fonte: informativo do Hostel Pariwana, em Cusco, Peru

Folha de coca

A folha de coca pode ser uma ótima aliada na prevenção do mal da altitude. Em locais como por exemplo o Deserto do Atacama (Chile), La Paz (Bolívia) e Cusco (Peru), você vai poder comprá-la em qualquer esquina, e é super baratinho. Normalmente, o próprio hotel/hostel disponibiliza uma cestinha com folhinhas aos seus hóspedes. É bem comum também oferecerem o chá de coca – um pouco amargo, lembra um pouco chimarrão. Eu gosto.

Folha de coca – Bolívia

Importante nota mental

Ao contrário do que muita gente pensa:

  • A folha de coca não é droga, portanto não causa alucinação, barato, ou qualquer outro efeito psicotrópico (obviamente, o mesmo vale para o chá); é absolutamente legal nos países da região andina;
  • Na prevenção do mal da altitude, o que faz diferença mesmo é a folha da coca; o chá é apenas quentinho e gostoso (pra quem gosta de amargo);
  • Não se masca a folha de coca. O recomendado pelas populações locais é apenas deixar umas duas ou três folhas na boca, entre os dentes e a bochecha, por cerca de 15 a 20 minutos. Joga-se fora e pega-se novas folhas.

Se nada disso funcionar, você tem ainda como recorrer ao remédio SOROJCHI PILLS®Porém, como todo medicamento, recomendo informar-se bem a respeito com um profissional de saúde antes de adquiri-lo e consumi-lo.

Boa alta aventura! 😉

Placa improvisada no pico de Chacaltaya - Bolívia

Placa improvisada no pico da montanha Chacaltaya – Bolívia

            

Sobre a autora Ver todos os posts Site da autora

Laura Sette

Bióloga paulistana que não vai sossegar enquanto não conhecer os sete cantos do mundo. Apaixonada por natureza e culturas, é perdendo-se por aí que ela se encontra. É viciada em livros e café, positividade é sua filosofia de vida e não perde uma oportunidade de rir e fazer rir com uma (nem tão) boa piada.

Comente! :)

Deixe uma resposta

Seu email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados *