7 Cantos do Mundo

Monte Roraima: F.A.Q.

1. Mas afinal o que há de tão legal assim sobre este tal de Monte Roraima?


Não é pouca coisa, e você não vai perder seu tempo conhecendo aqui as atrações no topo do Monte Roraima e descobrindo aqui o que ninguém te conta sobre o Monte Roraima.

Monte Roraima - Campo base

2. Onde fica exatamente e como eu faço para chegar lá?


O Monte Roraima se situa no Parque Nacional Canaima, na chamada Gran Sabana, ou savana amazônica, uma área de mais de 10 mil km² na região da tripla fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana (inglesa).

Supondo que você esteja no Brasil, você precisará ir até Boa Vista – Roraima (UTC-4, isto é, 1 hora a menos que Brasília). Note que não existe uma infinidade de vôos diários até esta capital, e se você partir da região sul ou sudeste, certamente terá de fazer pelo menos uma conexão e/ou escala (normalmente em Brasília e/ou Manaus), o que te renderá praticamente um dia viajando.

De Boa Vista, você vai por terra até Santa Elena de Uairén, na Venezuela, em um trajeto de cerca de 2h30min pela BR174. Como? Se você já tiver reservado o trekking com a Roraima Adventures, o traslado de Boa Vista a Santa Elena já estará incluído no pacote e eles te orientarão. Se você estiver indo por conta própria para fechar o trekking em Santa Elena com alguma agência venezuelana, você pode contratar um táxi ou uma van em Boa Vista – e, neste caso, recomendo o serviço do simpaticíssimo Newliman: (95) 98115-3236 (WhatsApp) ou (95) 99147-1065 | newliman58@hotmail.com.

De Santa Elena de Uairén, você fará um percurso de aproximadamente de 70 km em veículo 4×4 até a comunidade indígena de Paraitepuy, já dentro no Parque Nacional Canaima, de onde é iniciado o trekking. Este traslado tem de ser oferecido pela agência contratada.

Monte Roraima - Comunidade indígena Paraitepuy

Comunidade indígena Paraitepuy

3. Que documentos eu preciso para entrar na Venezuela?


Basta o seu documento de identidade (o RG mesmo; a Carteira Nacional de Habilitação e outros não são aceitos para fins de trâmites aduaneiros). Se você estiver com o passaporte válido em mãos (e for daqueles que gosta de colecionar carimbos), não custa nada levar. Vai que, né? O Certificado Internacional de Vacinação da ANVISA é obrigatório, em teoria, mas não é cobrado na prática.

4. Qual é a melhor época para ir? Quais as temperaturas enfrentadas?


A melhor época é de outubro a março, que são os meses menos chuvosos. Menos chuvas não quer dizer ausência de chuvas, ok? A época de (muita) chuva na região vai de abril a setembro. Por estar situada próxima à linha do Equador, a região tem apenas duas estações do ano definidas: inverno seco e verão chuvoso, com pouca variação anual de temperatura.

 Nota mental: Boa Vista e o Monte Roraima já estão no hemisfério norte, portanto inverta as estações do ano aí na sua cabeça.

Temperaturas: Na parte de baixo da montanha, é quente de dia (temperaturas em torno dos 25 a 30ºC no sol) e fresco à noite. Ok para dormir. No topo, a temperatura cai bastante. De um modo geral é frio/fresco de dia (de 10 a 18ºC) – com sol fica mais quentinho, claro – mas mesmo que não chova, não raro passam nuvens por nós, aumentando ainda mais a umidade e, por consequência, diminuindo a sensação térmica. À noite, faz muito frio, podendo chegar a 0ºC.

 Importante: entre os meses de abril e maio eles podem fechar a trilha para limpeza da montanha. Consulte as agências especializadas caso esteja pensando em ir nesta época.

5. Qual a duração do trekking?


Depende do número de noites que se passa no topo. São 2 dias e meio de subida, de 2 a 5 noites lá em cima, e 1 dia e meio de descida, totalizando de 6 a 9 dias. Eu fiquei 5 noites no topo e não recomendaria diferente. Afinal, lá em cima é gigante, e depois do longo caminho percorrido com tanto esforço, nada mais recompensador que aproveitar ao máximo a energia da montanha em mais dias de isolamento do mundo.

6. É possível fazer o trekking por conta própria, sem guia/agência?


Não. Primeiro, por não ser permitido. Você deve se registrar na entrada e saída do parque, e lá está indicado o seu grupo e seu respectivo guia – só assim o acesso é permitido. Segundo, porque lá em cima é completamente impossível de se orientar se você não conhece muito bem o local e não tem experiência com a dinâmica do clima, com a logística dos locais de acampamento, com os cuidados com a preservação do ecossistema, etc – ou seja, se você não é guia.

Resumindo: não queira inventar moda; contrate um guia/agência especializada e ponto final.

7. Eu preciso reservar o trekking com antecedência?


Depende de alguns fatores pessoais, como: grana, disponibilidade de tempo, flexibilidade com datas e se você vai sozinho ou já com um grupo pronto. Entenda alguns prós e contras de se fazer a reserva prévia:

 Prós: 1) Garantia de que você vai fazer exatamente o roteiro que quer, com a duração que quer; 2) Tendo a data de início do trekking confirmada e sua vaga garantida, você consegue se programar bem em relação à sua viagem: quando ir, quando voltar, emendar outros passeios menores no caminhos, etc; 3) Se você for um reles mortal assalariado como eu, você consegue garantir que a viagem caberá dentro das suas férias, assim otimizando-as; 4) Comodidade de já ter o transporte de Boa Vista a Santa Elena garantido, ida e volta.

 Contras: 1) Em geral, os passeios ficam mais baratos se contratados pessoalmente, tanto pelo preço ser mais baixo mesmo, quanto pela possibilidade de você gastar o seu xaveco na pechincha; 2) Você fica sujeito a flutuações de datas, o que te requer mais tempo livre disponível, pois você precisará ir até a Santa Elena de Uairén para daí procurar uma agência e marcar a data de saída – o que pode levar alguns dias, pois eles precisam de um número mínimo de pessoas para formar o grupo, comprar os mantimentos, recrutar a equipe de carregadores, etc. 3) Você fica sujeito a ter de fazer um roteiro diferente do que gostaria, devido à oferta das agências locais para o período, de acordo com a demanda.

8. Alguma agência para recomendar?


Sim. Eu fui com a Roraima Adventures (a única agência brasileira a fazer este roteiro) e recomendo de olhos fechados. Foi tudo excelente, do contato inicial ao fim do passeio. O único porém deles é o valor mais alto em relação às agências venezuelanas. Chega-se a pagar o dobro do que se paga do lado de lá da fronteira, mas garanto que você não vai se arrepender. Além da segurança que eles passam a todo o momento, existe a comodidade de ter tudo acertado logo que se chega em Boa Vista.

Das agências venezuelanas, acredito que a mais conhecida seja a Backpacker Tours, muito bem falada também. Encontramos um grupo que estava com eles no topo, e eles falaram apenas coisas boas do serviço. A Extremo Ancestral é uma agência menor que entrou em contato comigo, então resolvi deixar suas informações por aqui também. Caso alguém tenha alguma experiência bacana com eles para compartilhar, seus comentários são mais que bem vindos! 

 Rua Coronel Pinto, n° 97  – Centro – Boa Vista – Roraima – Brasil

 Carla Sevalho: comercial1@roraima-brasil.com.br

 Iúna Odilair Alves: comercial3@roraima-brasil.com.br

 Tel: (95) 3624-9611 / 3623-6972; Cel: (95) 98114-3322 (tim) /(95) 99115-1514 (vivo)

 Calle Urdaneta  – Santa Elena de Uairén – Edo. Bolívar – Venezuela

 Elys Zamora: info@backpacker-tours.com

 Tel: +58 (0289) 9951430; Cel: +58 (0414)8867227

Santa Elena de Uairén – Venezuela

Michael Salazar: tepuyesalextremo@yahoo.com.ve

 Tel: +58-426-796-1715

9. Quais os números mínimo e máximo de pessoas no grupo?


Eles fazem saídas até mesmo com uma única pessoa, teoricamente. A questão é que fica ridiculamente mais caro se o grupo é menor do que 4 ou 5 pessoas, então acaba não compensando. Assim, podemos considerar que os grupos podem ter de 4 a 18 pessoas – mais os guias, equipe da cozinha e carregadores pessoais.

Dia 1 - Paraitepuy

Dia 1 – Comunidade indígena de Paraitepuy

10. Quanto vai me custar a viagem toda?


Vamos fazer uma estimativa por cima, considerando os principais gastos:

Aéreo
Claro que vai depender de onde você mora, mas apenas para se ter uma base, os vôos de São Paulo a Boa Vista custam algo entre R$ 800 e 1200.
Traslados
Táxi do aeroporto de Boa Vista até o centro: R$ 30 (preço fechado padrão); van de Boa Vista para Santa Elena de Uairén (caso você não tenha este transporte já incluído pela agência contratada): a ser confirmado com o Newliman ou outro provedor deste serviço.
Hospedagem
Boa Vista: Não há hostels em Boa Vista. Os hotéis mais baratos que encontrei custavam cerca de R$ 90 – 100 o quarto single (por exemeplo: Hotel Euzébios e Hotel Barrudada), com café da manhã e qualidade justa.

Santa Elena de Uairén: A consultar (no meu caso, estava incluída no pacote da agência).

Refeições

Boa Vista: preços variáveis, a seu critério. Tem pra todos os gostos e bolsos: do restaurante dos comerciários do Sesc (~R$ 10) ao Recanto da Peixada (~R$40).

Santa Elena e San Francisco: de 400 a 500 Bs. (R$ 6 a 8) por refeição.

Agência para o trekking
  • Roraima Adventures: Os roteiros variam de R$ 1.800 a R$ 3.000, dependendo da duração e de alguns opcionais, como traslado do/para aeroporto e hotel em Boa Vista (eles usam o Hotel Aipana Plaza – não é dos mais baratos da cidade). Os pacotes deles já incluem transporte de Boa Vista a Santa Elena, e acomodação em Santa Elena.
  • Backpacker Tours: Os roteiros variam de R$ 750 a R$ 1.000, dependendo da duração. Vale ressaltar que os pacotes não incluem transporte de Boa Vista a Santa Elena, nem acomodação em Santa Elena.

TOTAL
Reserve para a viagem algo em torno de R$ 3.000 a 3.500, no mínimo.

11. Qual o tamanho ideal de mochila?


Uma mochila de 50 a 60 litros é o mais recomendado. Porém, fui com a minha Foguetinha (Deuter Pilgrim 35+10 SL) e, apesar de ter ficado bem abarrotada, deu conta do recado. Lembre-se: economizar ao máximo em roupas e itens supérfluos e levar em consideração os itens de maior volume, como saco de dormir e isolante térmico.

Monte Roraima - 7 Cantos do Mundo

 Importante: Leve também uma mochila de ataque, pois dependendo do roteiro que você fizer, você pode acampar duas noites seguidas no mesmo local no topo, e então haverá dias em que você não caminhará com sua cargueira – no meu caso, foram dois dias (de muita alegria! Você vai entender). Uma ótima opção são aquelas mochilinhas dobráveis – gosto muito destas da Decathlon que viram bolinha e são super baratinhas.

12. Eu que vou carregar a minha mochila?


Sim. Porém, é possível contratar um carregador pessoal, que será alguém de Santa Elena ou arredores. O custo de um carregador pessoal é ∼ R$ 700 (pagamento + alimentação).

Carregadoras pessoais

Carregadoras pessoais

Importante: É permitido a cada carregador levar no máximo 15 kg, podendo ser tudo isso de uma pessoa apenas, ou cargas menores de mais de uma pessoa, mas sempre totalizando no máximo 15 kg. Para conhecimento: além disso, ele vai levar os seus pertences pessoais, totalizando cerca de 20 kg.

13. Onde dormimos? Dá pra tomar banho? E o número 2?


Acampamentos selvagens todos os dias. Para não dizer que não existe estrutura nenhuma, nos acampamentos dos rios Tek e Kukenan, bem como no campo base, existem algumas construções muito simples de apoio. Mas só. Lá em cima – como obviamente é de se esperar – é completamente ao natural mesmo, normalmente em cavernas ou sob pedras grandes.

É possível tomar banho todos os dias de trilha. Tudo vai depender da sua coragem para enfrentar água fria – e às vezes é muito fria mesmo! E por favor, leve sabonete de glicerina e outros produtos de higiene biodegradáveis para não agredir os rios.

Para o número 2, a Roraima Adventures (nem todas fazem isso) monta uma barraca vertical, própria para isso, com um banquinho de plástico com o assento recortado, de modo que é possível encaixar um saco de lixo para funcionar como depósito. Após o uso, jogamos um pouco de cal sobre a caca para desidratá-la, fechamos o saquinho e deixamos ali fora para a equipe coletar. Não faça essa cara, prometo que é tranquilo!

14. Preciso ter/levar equipamentos para acampar?


Em parte. A agência se responsabiliza por fornecer e carregar as barracas e equipamentos de cozinha (basicamente, tudo que for de uso coletivo), mas cada um é responsável pelos equipamentos pessoais para dormir, como isolante térmico e saco de dormir. Normalmente, as agências têm este material para alugar, caso você não tenha, mas de qualquer modo é de sua responsabilidade carregá-lo.

Importante: O saco de dormir deve ser para 0ºC no conforto, pois no topo é possível chegar a esta temperatura à noite.

15. Vou passar fome?


NÃO! Muito pelo contrário, você vai é passar muito bem, obrigado. Você não vai acreditar como eles conseguem fazer comidas tão gostosas e caprichadas em “cozinhas” tão improvisadas no meio do nada. Alguns exemplos do que foi servido nas refeições (que variavam a cada dia):

  • Café da manhã: melão, abacaxi, café, leite, achocolatado, tapioca, panqueca, mingau de aveia, ovos, cereais, arepa (um tipo de pãozinho frito, à base de farinha de milho), don plin (um tipo de pãozinho frito, à base de farinha de trigo)
  • Lanches extra-oficiais (às vezes): frutas, biscoitos, goiabada, doce de leite
  • Almoço: arroz, feijão, macarrão, frango/carne/peixe/proteína de soja, legumes
  • Jantar: sopa de legumes com torradas
  • Café da tarde (às vezes): achocolatado, café, chá, pipoca, biscoitos

 Importante: Vegetarianos ou pessoas com restrições alimentares devem avisar a agência com antecedência para provisão de pratos especiais.

16. Devo levar lanchinhos de trilha?


Sim. Apesar da comida ser boa e suficiente nas refeições, caminha-se muito até chegar aos locais de almoço/janta; barrinhas de cereais, frutas secas, biscoitos, castanhas, etc ajudam bastante a disfarçar a fome e dar aquela energia. Mesmo não oficialmente incluído no esquema de refeições, tivemos lanches em vários momentos (melão, abacaxi, biscoitos, goiabada, doce de leite).

17. Como é a disponibilidade de água no caminho? Devo levar pastilhas purificadoras?


Abundante. Afinal, estamos falando da montanha conhecida como Madre de las águas. Você não terá problema nenhum em conseguir água limpa e fresca, a cada 1 hora e meia haverá uma fonte. Leve o seu Clor-in, mas você vai notar que em várias fontes você nem sentirá a necessidade de utilizá-lo. Enfim, vai da sensibilidade e costume de cada um.

18. É preciso escalar em algum trecho?


Não. O máximo que acontece é o que chamamos de “escalaminhada”, isto é, uma subida forte – com degraus de pedras que exigem bastante força nas pernas, e se utiliza também bastante as mãos para auxiliar no apoio e equilíbrio – mas que não é, definitivamente, uma escalada.

Ouve-se falar de malucos pessoas que se aventuram em escalar (daí é escalada mesmo) em outros pontos do tepuy, o que exige muito mais conhecimento de causa pela técnica e riscos. Na realidade, talvez nem seja mais permitido. Enfim, xapralá.

19. Qual a altitude no topo? Vou sofrer do mal da altitude?


O Monte Roraima tem cerca de 2.500 m de altura, e seu ponto mais alto – em cima da pedra Maverick – chega aos 2.880 m de altitude. Você não terá problemas com a altitude, lá é bem tranquilo em relação a isso.

20. Preciso ser o MacGyver para conseguir fazer o trekking?


Não, pessoas normais como eu e você saem ilesos do rolê. Mas isso não significa que você não precise se preparar fisicamente. Uma pessoa sedentária vai sentir dificuldades sim, pois não é um trekking exatamente leve, já que é muito longo e envolve muita subida. Além disso, você (com o perdão do gerundismo) estará carregando peso de uma mochila para 6 a 9 dias, o que significa algo entre talvez 10 e 15 kg.

 Importante: O Monte Roraima pode ser o hors concours dos trilheiros, mas tem muita gente sem experiência que também procura este destino, inclusive de idades mais além da casa dos 20 ou 30 anos. Aos mais experientes com a vida e/ou mais novatos no assunto, é importante ressaltar que o peso da mochila cargueira pode fazer toda a diferença em uma caminhada de longa distância, pois o desgaste é bem mais intenso que de uma caminhada normal. Portanto, vale a pena treinar não apenas caminhadas, mas caminhadas com algum peso nas costas. Em última instância, se achar que o peso pode prejudicar muito seu aproveitamento do passeio, existe a opção de contratar o carregador particular, conforme já descrito. O importante é estar ciente do que você vai enfrentar e se preparar para melhor desfrutar a experiência.

21. O que levar?


Confira o checklist específico para o trekking do Monte Roraima clicando aqui 

22. Devo levar dinheiro vivo? Quanto? Que moeda?


Sim, bolívares (Bs.). Você consegue trocar o dinheiro em alguns lugares, como por exemplo próximo à aduana brasileira, na cidade de Pacaraima (ainda no Brasil) – onde conseguimos a uma taxa de R$ 1 = 65 Bs. – ou mesmo em Santa Elena.

O pessoal da agência nos recomendou trocar R$ 150, que seriam destinados a:

  • Jantar em Santa Elena de Uairén na noite anterior ao início do trekking
  • Possíveis compras com suprimentos pré-trilha (lanches, sacos plásticos, etc)
  • A melhor cerveja quente que você vai tomar na vida, na última noite (acampamento do rio Tek, onde também às vezes tem arepa delícia feita na hora)
  • Almoço no vilarejo de San Francisco, no último dia, antes de voltar a Santa Elena
  • Artesanato no vilarejo de San Francisco
A melhor cerveja quente do mundo - Dia 9 - Acampamento Rio Tek

A melhor cerveja quente do mundo – Dia 9 – Acampamento Rio Tek

Depois fomos perceber que este valor era um tanto quanto elevado para nossas reais necessidades, já que para tudo isso aí em cima (incluindo comprinhas de artesanatos), se usamos uns R$ 50 foi muito. O bacana de ter sobrado bastante dinheiro é que pudemos dar uma gorjeta legal para os guias e pessoal da logística.

Vale lembrar que nossa hospedagem em Santa Elena já estava incluída; caso você vá para lá por conta própria, lembre-se de adicionar o valor da hospedagem a esta conta. Aliás,  nota mental: dizem que a cidade de Santa Elena é cara em relação a outras cidades da Venezuela, e mesmo assim gasta-se muito pouco com tudo. A título de exemplo: jantamos em um restaurantezinho ok por 500 Bs. (R$ 7,70) por cabeça, e comprei na padaria: 1 pão de coco + 1 café + 1 coca-cola = 100 Bs. (R$ 1,50). Pois é.

23. É costume dar gorjeta à equipe do trekking?


Não sei dizer se é um costume, pois em nenhum momento houve um apelo de nenhuma parte neste sentido. Porém, a galera do meu grupo chegou ao consenso de que era de bom grado darmos uma boa gorjeta para a equipe da logística, que trabalha muito pesado (literalmente, carregando MUITO peso nas costas, na prática MUITO mais do que os 15 kg permitidos), fazendo tudo com muito boa vontade e capricho, e que acho que não ganha – hum, digamos – tão proporcional assim ao seu esforço. Eu tiro o chapéu para eles.

24. Dicas, conselhos, recomendações?


 Dicas práticas:

 Cuide muito bem dos seus pés, seus queridos pés que te aguentam o dia inteiro. Uma bolha terrível pode complicar muito a sua vida na viagem.

Principalmente no topo, caminhe com muita atenção ao solo, que é muito irregular, a fim de evitar torções (e atoladas de pés na lama até o joelho desnecessárias).

Muito protetor solar – e não se esqueça das mãos! Engraçado, mas elas queimam muito. A radiação UV lá em cima é intensa, mesmo quando nublado.

Capa de chuva = melhor amiga. Deixe-a sempre à mão. No topo, é melhor sempre caminhar com a capa da mochila e proteger o que tiver em mãos (ex: câmera) com saco plástico/estanque, pois mesmo que não chova, os chuviscos de nuvens começam de uma hora para outra.

Sugestões para te inspirar antes da viagem:

Livro: O mundo perdido, de Arthur Conan Doyle

Filme: Up – Altas Aventuras, animação da Disney

Finalmente, sei que se conselho fosse bom, a gente vendia, não dava, mas anyway, deixo aqui os meus:

A montanha é sagrada para os índios, respeite-a. Não deixe nada nela que não estava lá, e não leve nada dela embora. Peça permissão para subi-la junto do paredão – como fazem tradicionalmente os índios – e é de bom grado agradecer na descida. Ah, e não grite, senão chove. É sério.

Interaja não apenas com seu grupo de amigos/turistas, mas também com o pessoal local (equipe de carregadores), eles são pessoas incríveis com muita história interessantíssima pra contar.

Vá com a mente e o coração abertos; você está prestes a ter uma das melhores experiências de sua vida. Boa sorte!

Monte Roraima - Nascer do sol no mirante do Quati - Lado brasileiro

GRATIDÃO 

Este não é um post patrocinado. Todas as despesas da viagem foram pagas por mim e as opiniões aqui expressas são genuínas, decorrentes de minha experiência pessoal.

Data da trip: março de 2015.

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Sobre a autora Ver todos os posts Site da autora

Laura Sette

Bióloga paulistana que não vai sossegar enquanto não conhecer os sete cantos do mundo. Apaixonada por natureza e culturas, é perdendo-se por aí que ela se encontra. É viciada em livros e café, positividade é sua filosofia de vida e não perde uma oportunidade de rir e fazer rir com uma (nem tão) boa piada.

Comente! :)

34 ComentáriosDeixe um comentário

  • Incrivelmente inspirador Laura!
    Vc escreve de uma forma muito clara, leve e que entretem fácil
    Obrigada pela riqueza de detalhes!!
    Deve ser uma emoção incrível estar lá 🙂

    • Muito obrigada, Mayra! De coração! 🙂
      Aquele lugar tem algo de maluco, não dá pra explicar direito. Foi onde eu tive o melhor sentimento da minha vida até hoje: plenitude.
      Este post foi mais informativo, os próximos serão mais inspiradores (espero!) hehe
      Um beijo!

    • Vá sim, Luciano! Penso que esta experiência deveria ser um item obrigatório no currículo de qualquer ser humano… Quando vc for, vc vai entender por quê! Obrigada pela visita e pelo comentário! Bjos

  • Para mim, que sou sensível a barulho, foi uma ótima dica a de levar protetores auriculares. Afinal, as barracas ficam bem perto umas das outras e seus companheiros de grupo podem ser parentes próximos dos “tiranossauros rex” e rocarem alto. Treino forte nos meses que antecederam a aventura me garantiram uma subida tranquila e um passeio sem problemas.

  • Adorei o seu post Laura! Já estou com as passagens compradas para dia 02/outubro e super animada para o trekking! Ainda não contratei guia… Estou pensando em ir pela Backpacker Tours. Será que em Santa Elena consigo pessoas para montar um grupo?

    • Que bacana, Ana Cristina! Estou animada por vc! hehe 🙂
      Então, eu acredito que sim, pois a procura é sempre grande. Mas é aquela coisa: pode ser que vc tenha que esperar alguns dias para se encaixar em um grupo. Mas se vc está com tempo, tranquilo! De qualquer forma, tente contatá-los conforme for chegando mais perto da época da viagem para ver se por acaso já teriam saídas confirmadas. Vai que, né? Outra opção super válida é buscar companheiros na seção “Companhia para viajar” do fórum do http://www.mochileiros.com/.
      Boa sorte e boa trip! Um beijo

      • Obrigada pelo retorno e valeu pela dica Laura! Meu retorno para MG está previsto para o dia 11… Então não estou com tempo livre… Mas vou buscar companhias no mochileiros.com! Ah, estou doida para ver o post de Ibiti!!! Sou fã de Coceição de Ibitipoca há mais de 20 anos!!! Ótimo lugar para relaxar! Lindas cachoeiras, grutas… E o pessoal da vila é super atencioso! Bjão

  • Hola Muy Buenos Dias, excelente tu articulo y opinion de nuestra tierras ancestrales. que bien que disfrutaste la excursion y regresaras con mucha felicidad en su corazon y mente, queremos tambien informarle que somos una pequeña agencia de viajes llamada extremo ancestral c.a y organizamos tambien excursiones al roroimo tepui y varios destinos de venezuela, nuestro equipo esta integrado por indigenas pemon taurepam de la zona sur de la de Venezuela,gran sabana, No somos reconocidos como las grandes compañias de aca o roraima aventura que son excelentes. Pero nosotros extremo ancestral c.a tambien nos caracterizamos por hacer un grandioso trabajo con el corazon,humildad y sobre todo felicidad infinita. Queremos invitarles son siempre bienvenidos a nuestras tierras ancestrales,hogar de Makunaimu y nosotros los pemon Taurepam estamos a la orden para atenderles.
    Michael Salazar
    Guia-Operador
    0058-426-796-1715

    • Hola, Michael,
      Qué bueno! Gracias por tu comentario y por compartir esas informaciones con nosotros! Voy a agregar tus informaciones de contacto en el post, te parece? =] Un abrazo desde Brasil!

  • Sempre gostei de fazer trilha, algumas foram com pernoites. Tinha como meta, pra quando me aposentar, fazer o caminho de Santiago mas, após ler o que você postou decidi que vou ficar no Brasil e subir o Monte Roraima.

  • Olá, Laura, fantástico o seu blog e sua postagem sobre o monte. Eu queria sua opinião, se pudesse. Estou com muita vontade de ir, já fui à chapada diamantina com amigos, você acha que é tranquilo se eu fechar uma viagem sozinha, para lá, provavelmente vai ter formação de grupo, mas não consegui alguém para embarcar comigo nessa, se puder opinar, agradeço!Quero marcar em outubro! Abraço!!!!

    • Oi, Elenice, eu só digo uma coisa: vá! Eu fui sozinha (e com o mesmo receio que você, diga-se de passagem), e foi a viagem mais sensacional da minha vida até hoje! Acabei conseguindo reservar um grupo antes de ir, o que me deu uma segurança maior, mas não conhecia ninguém e fui sozinha mesmo até Boa Vista. E posso dizer que fiz verdadeiras amizades por lá. É um lugar muito mágico mesmo! Dê uma sondada com as agências para a época que você quer ir, joga no Mohileiros.com na seção de cia para viajar, busque em comunidades de mochileiros no Facebook… há opções para te deixar mais segura. Vá sim!! Boa sorte! 🙂 beijão

  • Laura, excelente sua narrativa, sua forma franca de relatar faz nos sentir lá!! Tirei todas as dúvidas que tinha e colhi as informações que necessitava. Abraço.

  • Parabéns pelas suas dicas preciosas, pelas fotos, e por esse energia maravilhosa que emana de você! Certamente já inclui no meu roteiro de viagem o sagrado monte Roraima! Obrigado por compartilhar conosco esta sua maravilhosa experiência! Gratidão!

  • Ola, Laura, parabens pelo blog muito legal e muitas informações. ja li relatos sobre a subida do monte roraima(3º dia) uns dizendo ser super dificil, perigoso e outros como voce nem tanto, da pra fazer uma comparação com a cach fumaça na chapada por ex umas 10x a subida da fumaça, rs ? voce ja foi no morro pão de açucar em paraty-mirim ?

    • Olá, Fábio! Obrigada pelo elogio! 🙂
      Eu não subi o Pão de Açúcar de Paraty-Mirim, mas já fui à Cachoeira da Fumaça. Eu diria que a subida do 3º dia do Monte Roraima é um pouco mais desgastante que a subida da Fumaça (eu não diria 10x, talvez 2 ou 3, não sei, é um chute), primeiro por haver mais pedras lisas e mais escalaminhadas, e segundo por você estar carregado (na Fumaça você está apenas com uma mochilinha de ataque). É cansativo sim, mas vai na fé, pé ante pé, que rola! Sobre o ser perigoso, acredito que se refiram ao Passo das Lágrimas. É uma parte mais exposta, constantemente molhada (pois cai uma cachoeira ali), com pedras mais soltas. É de fato um local que requer mais atenção, mas assim, eles colocam mais medo do que precisa. Meu grupo foi com uma super expectativa (pra não dizer ansiedade), e chegando lá nem foi tão ruim assim. De qualquer maneira, prepare o físico e vá com atenção, que nunca é demais 😉
      Obrigada pela leitura e comentário! Abraço

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