7 Cantos do Mundo

Ny Carlsberg Glyptotek, um museu imperdível em Copenhague

Eu não sei se a Ny Carlsberg Glyptotek é uma atração turística óbvia àqueles que vêm a Copenhague a passeio por alguns dias. Eu mesma, que estou morando aqui há mais de 4 meses, só fui conhecê-la esta semana. Só sei de uma coisa: é um lugar muito interessante e, se você gosta de artes e história (e arquitetura, por que não?), você deveria sim incluí-la em seu roteiro pela capital dinamarquesa!

Ny Carlsberg Glyptotek - Copenhague - Dinamarca - 7 Cantos do Mundo

O que é uma gliptoteca?


Essa dúvida certamente paira na cabeça de muita gente ao ver o complicado nome do museu, então vamos esclarecer logo. Segundo o dicionário Michaelis da Língua Portuguesa:

Gliptotecasf Coleção de pedras ou outros materiais talhados ou esculpidos, guardados em museu ou lugar apropriado. Do grego glyptós (gravado, escavado) + thēkē (depósito, coleção).

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Uma breve história da Ny Carlsberg Glyptotek


Caso você ainda não seja familiarizado com as coisas dinamarquesas em geral, a Carlsberg é uma cervejaria famosa por aqui. Ela é conhecida mundialmente pelas marcas Carlsberg, Tuborg, Kronenbourg 1664, Grimbergen e Somersby. Tem até um museu para ver como é o processo de fabricação de cerveja e tudo – que nem a Heineken Experience, em Amsterdã, sabe?

Carlsberg - Photo credit: Hernan Piñera via Visualhunt / CC BY-SA

Photo credit: Hernan Piñera via Visualhunt / CC BY-SA

Bom, a Carlsberg foi fundada em 1847 por Jacob Christian Jacobsen (1811 – 1887), que enriqueceu grandemente com o sucesso de sua empreitada etílica. O cara curtia artes e história e, com sua humilde fortuna, realizava ações filantrópicas – como, por exemplo, restaurar o Castelo de Frederiksborg após destruição por um incêndio em 1859.

Aí que vem o babado: houve uma treta entre o Jacob Christian Jacobsen e seu único filho, Carl Jacobsen (1842-1914), por conta de herança (sempre o dinheiro 🙁 ). O que o filho fez? Criou a própria cervejaria, concorrente da do pai, a Ny Carlsberg (“Ny”, em dinamarquês, quer dizer “novo”; tipo a “Nova Carlsberg”). O filho também fez fortuna, também era filantropo e também apreciava artes – especialmente artistas contemporâneos franceses e dinamarqueses, e antiguidades da região do mar Mediterrâneo.

Carl Jacobsen e sua esposa Ottilia tinham uma enorme coleção e, por falta de espaço em sua casa para expô-las, acabaram por construir a gliptoteca, junto com o governo dinamarquês. Nasceu, assim, em 1888, a (devidamente explicada) Ny Carlsberg Glyptotek.

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Visitando o museu


Edifício, jardim de inverno e café

Ao se aproximar do museu, ainda do lado de fora, já se nota a imponência do edifício. O mesmo se constata após passar pela porta giratória da entrada. É uma enorme e belíssima construção! Não entendo o suficiente de arquitetura para discorrer mais sobre o estilo, mas sei dizer que é bonito pra chuchu. O prédio, por si só, já é uma visita à parte!

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Central Hall, construído todo em estilo romano. Note os nomes Carl e Ottilia Jacobsen sobre as colunas.

O prédio é todo bonitão

O prédio é todo bonitão!

A bilheteria fica no subsolo, assim como os sanitários e guarda-volumes (nos museus da Europa, é normal você ter que guardar sua mochila/bolsa em armários, e aí você aproveita e deixa o casaco também).

A visita começa ainda no térreo, onde há um belíssimo e agradável jardim de inverno. Há fontes (com peixes!) e bancos para descansar a apreciar o movimento. Ao lado direito do jardim, logo se nota um charmoso café – e o que tem de charme, tem de caro. Morri de vontade, mas acabei não parando para um lanche ou cafezinho.

Terreno reconhecido – e devidamente apreciado – hora de conhecer as coleções do museu em si. Vamos por pisos.

PISO 1 (TÉRREO)

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Salas 19 a 25: Mediterrâneo Antigo (6.000 a.C. a 400 d.C.)

Achei esta parte especialmente interessante! Ela conta milhares de anos de história dos povos que viviam na região do Mar Mediterrâneo e suas relações comerciais, culturais, religiosas, suas artes e escrita. Há um foco especial no povo Etrusco (povo que habitava a antiga região da Etrúria, a atual Toscana, na Itália) e suas relações com os Gregos e os Fenícios (povo de origem semita, que habitava a região do atual Líbano).

Os povos antigos do Mediterrâneo eram bastante avançados nas técnicas de navegação (alguma semelhança com os Vikings?), condição necessária para que realizassem suas buscas por matéria prima (principalmente metais) e transações comerciais, e isso acabou por conectar todos estes povos e de certa forma mesclar suas culturas. Por exemplo: os etruscos não tinham o costume de fazer esculturas/obras de arte; seus vasos eram escuros, com poucas cores; isso mudou após o contato com os gregos que, como bem sabemos, adoravam esculpir e fazer arte – no sentido estrito da palavra! hehe

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Fiquei tão vidrada nesta seção que tirei pouquíssimas fotos. Não lembro da história deste dragão em alto relevo, só sei que ele tem alguns milhares de anos e eu o adorei!

Outro aspecto que me chamou a atenção – e não somente sobre estes povos – é como eles lidavam com a morte. Desde milhares de anos, há um misticismo do homem sobre a passagem desta para melhor, identificado em rituais, crenças em vida após a morte/vida eterna e… arte! Uma boa parte do museu é dedicada a mostrar túmulos e artefatos utilizados nos rituais fúnebres.

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PISO 2
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Salas 1 a 18 – Arte Egípcia, Esculturas Gregas e Romanas

Eu comecei por esta parte meramente para seguir a numeração das salas em ordem crescente. Mas agora vejo que talvez tivesse sido mais interessante começar da seção anterior (do Mediterrâneo), pois ela dá um panorama legal sobre o que tava rolando na região – o que, claro, inclui os egípcios, gregos e romanos.

Esta seção no segundo andar é mais focada mesmo em artes (basicamente esculturas). Eu não sou a pessoa que mais entende ou gosta de esculturas no mundo, mas eu achei super interessante!

Curiosidade: os gregos iniciaram a tradição de fazer estátuas no Século V a.C., quando começaram a esculpir retratos de pessoas famosas e importantes para a sociedade (poetas, filósofos, políticos). Porém, o que talvez pouca gente saiba, é que essas estátuas eram feitas, em sua maioria, de bronze e, devido à deterioração do material, acabaram se perdendo. Nós temos conhecimento delas hoje graças aos romanos, que, após terem conquistado a Grécia (por volta do Século II a.C.) e se encantado com sua cultura, mandaram fazer cópias das estátuas gregas, porém em mármore – e estas sobreviveram até hoje para contar a história. 🙂

Mas se esculturas não são o seu forte, você também tem a chance de ver artes egípcias (têm esculturas também, mas são mais diferentonas), além de sarcófagos e múmias reais!

Salas 33 a 37 e 46 – Esculturas Francesas | Salas 41 a 45 – Esculturas Dinamarquesas (Séc. XIX)

Novamente: não sou a pessoa mais entendedora de esculturas, mas também gostei muito desta parte. Tem esculturas interessantíssimas, bastante expressivas!

Salas 61 e 62 – Pinturas Francesas

Em minha visita, esta seção (justo os impressionistas!) estava fechada e será reaberta em 19 de março de 2017.

PISO 3

Level 3

Pinturas e Esculturas Dinamarquesas (Séculos XIX e XX)

O piso superior contém algumas pinturas e esculturas dinamarquesas – não muitas, e não vou dizer que são as mais sensacionais da vida, mas tem umas interessantes sim. Acredito que seja a seção mais rápida do museu, ainda que dê a volta no prédio todo.

Exibição temporária

O piso superior nos brinda ainda, e por fim, com uma exibição temporária. No caso, peguei a exposição de esculturas do pintor fracês Edgar Degas (1834 – 1917). Não estou louca, ele é um pintor, mas aparentemente quis se aventurar fora das telas e criar coisas em mais de duas dimensões.

E olha, ele como pintor é um excelente escultor também! Apaixonei-me pelas esculturas de bailarinas – principalmente a maior de todas, sua obra principal: The Little Fourteen-Year-Old Dancer. Olha ela aí:

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The Little Fourteen-Year-Old Dancer | Edgar Degas

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The Little Fourteen-Year-Old Dancer | Edgar Degas

E as outras bailarinas menores, se alongando e dançando. Não são uma graça? 🙂

 

Data da visita: 14 de fevereiro de 2017.

Neste dia, toda a seção de pinturas francesas (justo os impressionistas!) estava fechada e será reaberta em 19 de março de 2017.

 Informações úteis
  • Tempo de visitação: eu levei cerca de 3 horas para visitar tudo (considerando que havia uma seção fechada)
  • Endereço: Dantes Plads 7 – 1556 – København V (ao lado do parque Tivoli)
  • Horário de funcionamento: Terça, quarta e sexta a domingo – das 11h00 às 18h00 | Quinta: das 11h00 às 22h00 | Fechado às segundas-feiras.
  • Taxa de admissão: Adulto: de 95 kr (normal) ou 110 kr (incluindo exibição especial) | Até 27 anos: de 50 kr (normal) ou 65 kr (incluindo exibição especial) | De 0 a 17 anos: grátis | Copenhagen Card: grátis | Terças-feiras: grátis
  • Câmbio: R$ 1,00 ≅ 2,00 kr
  • Site oficial do museu: http://www.glyptoteket.com/

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Laura Sette

Sou paulistana, bióloga, viciada em viagens, trilhas, livros e café, curiosa incansável e nerd assumida. Considero-me uma eterna aprendedora, e estou em constante busca da minha melhor versão. Acredito no poder transformador do autoconhecimento, e que, com amor e verdade, somos capazes sim de mudar o mundo! Moro atualmente na Dinamarca, como parte do grande plano de conhecer os 7 Cantos do Mundo.

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