7 Cantos do Mundo

7 motivos para fazer viagens outdoor

Existem maneiras e maneiras de viajar. Do turistão-camisa-florida do pacote CVC ao caroneiro bicho-grilo-desapegado. Não estou aqui para julgar nem defender nenhum dos estilos, beleza? Cada um na sua, o importante é ser feliz!

Mas auto-intitulações à parte, existe um tipo de viagem que considero particularmente especial. Acho que não precisou nem de meia chance para adivinhar que estou falando de viagens outdoor, né? Isto é, viagens de aventura, de exploração do mundo exterior, de muito contato com a natureza. Os benefícios são enormes – e duradouros.

Salar de Uyuni - Bolívia

Com os 7 motivos que descrevo a seguir, eu acho (espero!) que consigo te convencer de que você deveria se permitir experimentar uma trip assim em algum momento da vida. Uma vezinha, que seja. Quer ver?

1. Explorar: conhecer lugares não acessíveis de outra maneira

Vamos combinar? Muvuca e too much informação visual urbana a gente já tem que chegue no nosso dia a dia. Respirar novos ares é preciso! E não há ares mais revigorantes que de lugares isolados na natureza. Fujamos um pouco do clichê! Não estou dizendo que o clichê não seja bom, ok? Quem não gostou/gostaria de conhecer a Torre Eiffel ou o Coliseu? Eu amei! Mas é fato que os lugares de menor interferência humana tem uma beleza e uma energia peculiares. Ah, eles tem sim!

Trilha Salkantay para Machu Picchu - Peru

O ponto é que estes locais fantásticos por aí não seriam tão fantásticos se fossem de mais fácil acesso. O Homem tem uma incrível capacidade de modificar – pra ser simpática e não dizer destruir – tudo por onde passa. Faz uma estrada asfaltada aqui, constrói um resort ali, mexe e remexe na mata acolá… e pronto, era uma vez uma beleza natural. Por isso, o fato de “dar trabalho” para chegar é justamente o que torna esses locais especiais,  pois são virgens – ou quase isso. Sem contar que a sensação de explorar é um dos melhores alimentos para a alma. O ser humano precisa disso para se sentir vivo!

Deserto do Atacama

A coisa mais essencial do espírito vivo de um homem é sua paixão pela aventura. A alegria da vida vem de nossos encontros com novas experiências e, portanto, não há alegria maior que ter um horizonte sempre cambiante, cada dia com um novo e diferente sol 

– Chris McCandless/Alexander Supertramp

Portanto, se é difícil de chegar, alegre-se! Você está prestes (depois de se deslocar um pouquinho) a conhecer um lugar sensacional e inesquecível.

2. Disposição e iniciativa: mexer o corpitcho

Porque quem fica parado é poste, né?! Viajar pra ficar com as pernas pro ar, engordando, “empreguiçando”? Experimente o oposto disso: caminhar, correr, escalar, pedalar, remar, nadar… qualquer coisa outdoor que tire a poeira e a ferrugem. Movimentar o corpo oxigena os músculos e te dá mais disposição; ao mesmo tempo, estar ao ar livre, explorando, oxigena o seu cérebro. E isso é um senhor estímulo para a sua criatividade, vontade e, principalmente, iniciativa para idealizar projetos novos, retomar os largados e iniciar aqueles que nunca saíram do papel. Em outras palavras: xô, preguiça! Em tudo: na sua saúde física e mental.

7 motivos para fazer viagens outdoor - Monte Roraima - Subida ao topo

Monte Roraima

É, viagem outdoor dá trabalho sim. Ninguém falou que seria fácil! Oras, o fácil todo mundo faz: pegar avião, ônibus, táxi, balão, carrinho de golfe, até um jegue ou uma ximbica velha. Gastar ATP que é bom ninguém quer, né?! Mas ó, te digo uma coisa: o destino final normalmente supera tanto o suor, que você até esquece de toda a sofrência que passou; não é a dificuldade que marca sua lembrança. #ficaadica

7 motivos para fazer viagens outdoor - Salar de Uyuni - Bolívia

Salar de Uyuni – Bolívia

 Nota mental: quanto mais energia a gente gasta, mais energia a gente tem! É sério.

3. Parar de reclamar: adeus, mimimi!

Vamos combinar que gente que só reclama de tudo é um porre, né? Digo isso com propriedade, pois essa que vos fala costumava ser uma reclamona de galocha! É isso aí. Ainda bem que uma hora a vida nos dá uns tapas na cara faz crescer e mudar isso. E sabe qual é uma das maneiras mais bacanas (e até fáceis) de amadurecer o espírito? Acertou: fazendo viagens outdoor.

Travessia Lapinha x Tabuleiro

Este tipo de trip não é o que se pode chamar exatamente de confortável. Não envolve camas king size, jacuzzis com sais de banho, massagem ayurvédica nem serviço de cocktail na beira da piscina. Envolve, sim, caminhar por muitas horas, carregar peso, banhar-se num rio gelado ou até mesmo ficar sem banho (quem precisa dele?), tomar chuva e sol na cuca, dormir no chão duro, passar frio – resumindo: aquilo que as pessoas chamam de perrengue.

Yes, we have perrengue!!!

Mas sabe o que é sensacional do perrengue? A gente vê que, mesmo depois de passar por tudo aquilo, a gente sobrevive no fim das contas. E que a gente fica bem! Igualzinho. Com todos os pedacinhos. Isso é: o perrengue nos ensina a superar um montão de desconfortos e, principalmente, a valorizar aquilo que temos de bom e fácil na vida normal.

E então passamos a dar menos importância para coisas que não precisam de nosso gasto de energia, entende? Passamos a não reclamar do que não precisa (na real? Não precisamos reclamar de nada, né?). Os problemas não existem verdadeiramente até que nós os inventemos. Don’t worry, be happy! 

 Nota mental: O conceito de perrengue é muito relativo e vai mudando com o tempo, porque certas coisas que pareciam super trash antes passam a ser tranquilas e a gente se sente até injusto chamando de perrengue ou dificuldade.

4. Estimular a criatividade: capacidade de improviso e adaptação

Não há nada a que não nos acostumemos. Nada. Não é à toa que o homem taí, de boas, dominando o planeta e tals – justamente pela sua capacidade de adaptação. O famoso “Não tem tu, vai tu mesmo”, “Quem não tem cão, caça com cachorro” (eu sei, é o gato, é que gosto mais desta versão do meu tio).

7 motivos para fazer viagens outdoor - Monte Roraima - Bota remendada com silver tape - 7 Cantos do Mundo

Monte Roraima, botas de uma companheira do grupo

Mudou o cenário? Ocorreu uma situação inesperada? E viva a arte do improviso, meu amigo! A vida te deu limões? Faça uma limonada! Ou uma caipirinha – vai do gosto do cliente.

7 motivos para fazer viagens outdoor - Chacaltaya - Bolívia - 7 Cantos do Mundo

Chacaltaya – Bolívia

Ainda bem que viagens outdoor quase não nos sujeitam a variáveis de clima, natureza, exigências físicas e outras situações inesperadas, né?? Quase nada! Por isso: fazer uma viagem outdoor é a melhor escola para a nossa capacidade de improvisação. E improviso é tudo nessa vida! A gente se torna mais líquido, adaptável, modelável, e como consequência, sofremos menos com as mudanças que encontramos pela frente – inclusive ficamos mais receptivos a elas, o que é ótimo, pois assim nossa pacata rotina ganha movimento e transformação.

5. Conexão: conhecer as pessoas e os lugares de verdade

Você quer conhecer uma pessoa e então marca de tomar um chopp com ela, certo? Errado! Você vai ouvir suas histórias enviesadas e suas tagarelices factuais sobre sua vida, vai conhecer sua persona – aquele personagem social que interpretamos todos os dias em prol da vida normal – mas você não vai conhecê-la de verdade, sinto-lhe informar.

Dizem que você só conhece uma pessoa de verdade se você ou mora com ela ou viaja com ela. Há ainda quem diga que é quando se come 1 kg de sal com ela (já pensou quanto tempo se leva para comer 1 kg de sal?). Enfim.

Eu apoio a teoria da viagem, e digo mais: o verdadeiro conhecimento acontece especificamente em viagens outdoor. Quando se está em um lugar lindo, isolado e você está maravilhado com tudo aquilo, você se dá conta de que pouco importa onde a pessoa que está ao seu lado nasceu, o que ela faz da vida, quantos anos tem, que bens ela possui, que títulos ela atingiu ou deixou de atingir. Idem para você. Isso simplesmente não faz diferença, pois nesta situação nós temos espaço apenas para sersentir; para sermos simplesmente nós mesmos em nossa essência, sem máscaras. É a exposição do nosso eu, nu e cru.

Janela do Céu - Ibitipoca - MG

É impressionante como é diferente o tipo de conexão que você tem com uma pessoa numa viagem de aventura – seja ela uma pessoa já conhecida sua, ou uma nova amizade recém iniciada. É algo muito mais puro e profundo. E eu acredito que o mesmo valha para a nossa relação com o lugar: nos conectamos de verdade com um lugar quando penetramos suas entranhas – infinitamente mais do que quando perambulamos desatentos sobre sua superfície (o que normalmente acontece em algumas viagens de férias “normais”, “para descansar”).

Circuito das Águas - Ibitipoca - MG

6. Expandir seus limites: pôr seu corpo e mente à prova

A gente frequentemente cai nas nossas próprias armadilhas mentais, as famosas crenças limitantes. Deixamos de fazer e viver coisas incríveis apenas por não acreditar sermos capazes; por alguém (muitas vezes, nós mesmos, sem perceber) ter enfiado em nossa cabeça que “isso não é para mim”, que “o meu limite é logo ali”, que “não aguento ir além”. Bullshit! Isso é um perigo, minha gente!

Cemitério de Trens – Uyuni – Bolívia

Nós somos e podemos muito mais do que normalmente acreditamos. É tudo uma questão de reprogramar o nosso cérebro para fazê-lo acreditar nisso. E quer situação melhor para exercitar a nossa massa cinzenta nesse sentido do que uma viagem outdoor? Você vai suar, acelerar o coração, exaurir a musculatura, se queimar com o sol, se resfriar com o vento e a chuva, sentir medo, dor, e até eventualmente se ferir. Você vai sofrer, você pode pensar em desistir. E então você vai descobrir que é forte, que consegue sim, e que você pode ir além. E mais um pouco ainda. Que tudo isso não bastou para te derrubar. E nem nada o fará. Porque você é f***, e só você não via isso.

Trilha Salkantay – Peru

Viagens de aventura fazem isso com a gente: nos testam o tempo todo, e isso expande os nossos limites, tornando-nos mais fortes. E não preciso nem dizer que este tipo de trabalho mental você leva para outros momentos e setores da vida, né? Nos fortalecemos em tudo, pois mudamos nossa postura diante das mais diversas e, principalmente, adversas situações.

É aquela história: nós sempre temos duas opções, acreditar que conseguimos ou que não conseguimos. De qualquer maneira, nós estamos certos.

7. Energização: momentos de paz e silêncio

Na vida normal, somos atordoados por inúmeras fontes ruidosas de interferência: a televisão e suas novelas e notícias alienantes, o trânsito e toda a atmosfera tensa que o envolve, o trabalho no qual somos infelizes e que nos suga aos poucos a vida, pessoas com energias negativas que não nos acrescentam em nada… enfim, mil coisas que apenas “poluem” o espírito. Não nos sobra espaço para um importante momento de imersão em nós mesmos.

Lombada - Ibitipoca - MG

O silêncio é simplesmente f-u-n-d-a-m-e-n-t-a-l em nossas vidas. Precisamos do silêncio externo para silenciar o nosso interior. É por meio dele que digerimos nossos 3791273218037127312 pensamentos, expandimos o tamanho da nossa caixa de ideias, deixamos fluir as sensações e emoções do momento, sintonizamos a energia lá de cima e nos lembramos do que normalmente esquecemos: dos nossos sonhos, das vontades de mudar o mundo, de perdoar a nós mesmos e aos outros por nossas falhas, de mentalizar que podemos ser uma pessoa melhor e de agradecer por tudo que temos de bom na vida.

O resultado disso? Expansão da consciência, ganho de autoconhecimento, paz de espírito e sensação de plenitude.

Janela do Céu - Ibitipoca - MG

Resumo da ópera

De um modo geral, quando você entra no mundo das viagens outdoor, você passa a ver as coisas sob outra perspectiva

Trilha Salkantay para Machu Picchu - Peru

…a positiva. E isso é incrivelmente transformador! Digo, mais uma vez, por experiência própria. Então, você me pergunta por que você deve fazer viagens outdoor? Porque com elas você se torna uma pessoa melhor.

GRATIDÃO  

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Sobre a autora Ver todos os posts Site da autora

Laura Sette

Bióloga paulistana que não vai sossegar enquanto não conhecer os sete cantos do mundo. Apaixonada por natureza e culturas, é perdendo-se por aí que ela se encontra. É viciada em livros e café, positividade é sua filosofia de vida e não perde uma oportunidade de rir e fazer rir com uma (nem tão) boa piada.

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8 ComentáriosDeixe um comentário

  • Oi Laura, td bem? Que blog incrível, eu não conhecia, PARABÉNS! Viajo sozinha há 4 anos e amo cada pedaço que eu me aventuro a conhecer. Os perrengues fazem parte da viagem e sinceramente, eu não sobreviveria sem eles rsrs
    Quando fui pra Santiago do Chile em janeiro de 2012, minha ficha caiu ao chegar na Rodoviária após dois dias e meio de viagem. Era quase meia-noite, tirei o guia da mochila e chamei um táxi. Cheguei no hostel e fui super bem recebida pelo dono, um australiano. Achei o máximo o pessoal passeando pra lá e pra cá, de chinelão e segurando as toalhas de banho e sabonetes. Fiquei um mês em Santiago, fui pra Valparaíso e voltei pro hostel. Já me sentia parte da mobília rsrs As dores nas articulações devido a tantas horas na estrada foram esquecidas ao cruzar as Cordilheiras dos Andes. Quando cheguei em casa, parecia um soldado voltando da guerra. rsrs Minha mãe quase chorou, coitada. Sempre dou notícias, mas mãe é mãe né? Em janeiro de 2015 fui pra Ilha Grande no RJ, fiquei 15 dias por lá. Escolhi o Aventureiro, a duas horas e meia de barco saindo de Angra. A praia mais roots (e uma das mais lindas) da Ilha. O meu celular perdeu o sinal meia depois de subir no barco e na Ilha não tem luz elétrica, somente os geradores ligados à noite. Amei, apaixonei e sai chorando de lá rsrs fui pra Praia de Palmas, do outro lado da Ilha e fiquei mais uns dias acampada. Não consigo descrever àquele lugar, muito perfeito.Já fui pra Trindade, no Rio e em janeiro desse ano conheci São Thomé das Letras. Agora em julho pretendo conhecer Ibitipoca, adorei seu post contando sobre a vila. Muito obrigada pelos 7 motivos, são incrivelmente verdadeiros. Bjos e ótimas TRIPS a todos nós!

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