7 Cantos do Mundo

Guia outdoor para Machu Picchu

Machu Picchu de um jeito diferente

Machu Picchu sob outra perspectiva

Conhecer a Cidade Perdida dos Incas construída no Século XV é um sonho para muita gente. Para mim não era diferente e, depois de conhecê-la, vi que não era para menos. Machu Picchu é mesmo um lugar incrível, com uma energia única e muita história para contar. Porém, tão interessante quanto as próprias ruínas pode ser a maneira como se vai até lá. Além do tradicional modo “turista preguiçoso” (:D brincadeirinha!), isto é, de ônibus + trem, existem pelo menos outras cinco opções de caminhos – que exigem um pouquinho mais de esforço.

Ora, uma cidade construída (ou seria escondida?) a 2.500m de altitude nas montanhas de uma floresta não teria como ser um lugar de super-ultra-mega fácil acesso, não é mesmo? Pois não é. E já que a coisa não é tão simples assim, por que não complicar mais um pouquinho? O viajar adquire uma esfera ainda mais especial quando existe um desafio envolvido. Gosto assim. E acho que você também pode se deliciar com uma das opções não-preguiçosas.

 Nota Mental 1

As Trilhas Incas são uma enorme e complexa rede de estradas que interligavam Cusco – o centro geográfico e capital do Império Inca – e diversos pontos na região andina ao longo de todo o continente sul-americano. Dizem os guias locais que se uma pessoa caminhasse durante todos os dias de sua vida, ela não seria capaz de percorrer os caminhos em sua totalidade. Afinal, estamos falando de mais de 30.000km!

Que tal então experimentar ir a Machu Picchu no melhor estilo inca: caminhando com vossos belos pezinhos? Aqui chamo de modo outdoor. Bora lá! Vamos às opções:

A Trilha Inca Clássica


Considerada uma das melhores rotas de trekking do mundo, a Trilha Inca Clássica é, sem dúvida, a trilha mais procurada para chegar a Machu Picchu, mesclando muita história e muita natureza. Caminha-se pelo Valle Sagrado em trechos de uma antiga estrada inca pavimentada com pedras, passando também por túneis e outras construções originais. A fim de preservá-la, o tráfego de animais de carga é proibido, o Governo Peruano limita o número de visitantes a 500 pessoas por dia (incluindo guias e carregadores), e a trilha fecha no mês de fevereiro para manutenção.

Duração: 4D/3N, mas existe uma opção enxuta de 2D/1N

Pernoites: em acampamento

Distância total de caminhada: 44 km

Altitude máxima: 3.970 m (Abra Runcurakay)

Diferenciais: complexos arqueológicos com diversas construções incas originais; chega-se diretamente a Machu Picchu por uma trilha superior bem cedo ao amanhecer, não passando pela entrada oficial do parque (embaixo, em Águas Calientes)

Preço aproximado: US$ 450-500 (inclui ingresso a Machu Picchu)

Reservar: com 2 a 3 meses de antecedência

A Trilha Salkantay


Trilha Salkantay é mais longa e mais difícil que a Trilha Inca Clássica, conhecida pelas suas exuberantes paisagens naturais e seus extremos: picos nevados e trechos de mata amazônica, temperaturas negativas e acima dos 30ºC, altitudes variando de 2.000m a 4.600m. A trilha ganha esse nome devido a passagem pela base da imponente montanha Salkantay, cuja altura é 6.271 m.

Duração: 5D/4N, mas existe uma opção enxuta de 4D/3N

Pernoites: 3 em acampamento e 1 em hospedagem em Águas Calientes

Distância total de caminhada: 74 km

Altitude máxima: 4.630 m (Abra Salkantay)

Diferenciais: base da montanha Salkantay (4.630 m) – um lugar indescritivelmente lindo – lindas paisagens de montanhas, vales e trechos de mata amazônica, banho em piscinas termais naturais em Santa Teresa, tirolesa com 6 travessias em Santa Teresa

Preço aproximado: US$ 200-250 (inclui ingresso a Machu Picchu)

Reservar: pessoalmente, não há necessidade de fechar com antecedência

Vai encarar Salkantay e não tem ideia de por onde começar?

 Leia aqui o nosso F.A.Q.!

A Trilha Inca Jungle


Se mais do que apenas estar em meio à natureza e ver paisagens lindas, você gosta de adrenalina, a Trilha Inca Jungle é para você. A rota conta com um downhill comparado ao famoso trajeto da Estrada da Morte, na Bolívia. A descida em bicicleta se incia no Abra Málaga, a uma altitude de 4.300 m, e dura cerca de 5 horas até Santa María, a 1.400 m. A partir daí, segue-se caminhando, totalizando cerca de 100 km. Rafting e tirolesa são atividades opcionais super maneiras, pagas à parte (cerca de S/100 e S/60, respectivamente).

Duração: 4D/3N

Pernoites: 2 em acampamento e 1 em hospedagem em Águas Calientes

Distância total de caminhada: 40 km

Altitude máxima: 4.315 m (Abra Málaga)

Diferenciais: cerca de 55 km de downhill, rafting em Santa María, banho em piscinas termais naturais em Santa Teresa, tirolesa com 6 travessias em Santa Teresa

Preço aproximado: a partir de US$ 250 (inclui ingresso a Machu Picchu)

Reservar: pessoalmente, não há necessidade de fechar com antecedência

A Trilha Lares


Um pouco menos conhecida, a Trilha Lares parte do distrito de mesmo nome, situado no Valle Sagrado a uma altitude de 3.100 m, em direção ao Valle de Lares. A rota passa por povoados andinos tradicionais, lagos glaciares, cachoeiras e picos nevados.

Duração: 4D/3N

Pernoites: 2 em acampamento e 1 em hospedagem em Águas Calientes

Distância total de caminhada: não informado

Altitude máxima: 4.350 m (Abra Ipsaycocha)

Diferenciais: banhos termais em Lares, passagem por povoados andinos tradicionais, trem de Ollantaytambo a Águas Calientes

Preço aproximado: US$ 470 (inclui ingresso a Machu Picchu)

Reservar: talvez pessoalmente; consultar agências de turismo especializadas

A Trilha Choquequirao


Trilha Choquequirao, limitada pelos cânions de Apurimac e Willcamayu, é considerada ainda mais difícil que as trilhas Inca Clássica e Salkantay. Ainda não completamente escavada pelos historiadores, Choquequirao foi a última cidade inca a resistir à invasão espanhola. O percurso é um misto de história e natureza, graças aos vários sítios arqueológicos que se encontram no caminho.

Duração: 8D/7N

Pernoites: 6 em acampamento e 1 em hospedagem em Águas Calientes

Distância total de caminhada: não informado

Altitude máxima: 3.035 m (Complexo Arqueológico de Choquequirao)

Diferenciais: coleta e degustação de frutas silvestres em Chiquisca, complexos arqueológicos, minas de prata, banhos de cachoeira, trem da Usina Hidroelétrica a Águas Calientes

Preço aproximado: US$ 1.000-1.200 (inclui ingresso a Machu Picchu)

Reservar: talvez pessoalmente; consultar agências de turismo especializadas


E então, qual você vai encarar?

Seja qual for, não deixe de considerar ir a Machu Picchu no modo outdoor. Se o problema é grana, o valor não difere muito do que se paga para ir no modo “turista preguiçoso” – na verdade, no modo outdoor pode até sair mais barato, proporcionalmente, considerando-se que são mais dias. E sem sombra de dúvidas será uma experiência inesquecível. Afinal, tanto melhor é o gostinho do prêmio quanto maior é a dificuldade de conquistá-lo, você não acha? Eu acho, e recomendo. Então vai lá, taca-lhe pau!

 Para não esquecer nada na hora de arrumar a mochila para o seu trekking, confira aqui a LISTA-CORINGA

 Nota Mental 2
  • Em todas as trilhas, o último dia é o de visita a Machu Picchu, e à noite volta-se para Cusco
  • Os pacotes não incluem ingressos de subida às montanhas Huayna Picchu e/ou Machu Picchu; estes devem ser adquiridos separadamente, ao custo de US$ 12 cada um
  • Em geral, menores de 18 anos e estudantes apresentando a carteirinha internacional ISIC verde tem desconto
  • É importante chegar a Cusco (altitude: 3.400 m) pelo menos 2 dias antes do início da trilha, para aclimatação à altitude
  • Estação chuvosa: dezembro a março
  • Estação seca: abril a novembro
  • Para viajar ao Peru, não é necessário ter qualquer certificado de vacinação. Porém, se você vier pela Bolívia, é obrigatório ter o certificado internacional de vacinação contra febre amarela.
  • Para maiores informações, consultar o Site oficial de Machu Picchu e o Portal oficial de turismo do Peru

GRATIDÃO 

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Sobre a autora Ver todos os posts Site da autora

Laura Sette

Sou paulistana, bióloga, viciada em viagens, trilhas, livros e café, curiosa incansável e nerd assumida. Considero-me uma eterna aprendedora, e estou em constante busca da minha melhor versão. Acredito no poder transformador do autoconhecimento, e que, com amor e verdade, somos capazes sim de mudar o mundo! Moro atualmente na Dinamarca, como parte do grande plano de conhecer os 7 Cantos do Mundo.

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4 ComentáriosDeixe um comentário

  • Obrigado por dividir suas experiências conosco Laurinha….!! Quero visitar esse lugar encantador…e agora fica mais fácil decidir como…^^…!! Bjaum…=]

  • Muito bom este guia!
    Estou pesquisando aqui pq sempre quis fazer a trilha inca, mas estou achando extremamente cara 🙁

    Acho meio confuso pq leio muito que a Salkantay não precisa reservar, mas dizem que é bom garantir a entrada pra Machu Picchu com 2-3 meses de antecedência. Ai as agências sempre tem entrada? Arrisca isso? Ou é melhor comprar só a entrada e buscar só a trilha lá. Desculpa, é que tô com medo hehe falta exatamente dois meses pra mim… :/

    • Olá, Marília, eu não sei exatamente como eles fazem com o esquema das entradas. Talvez as agências tenham uma cota já reservada para elas, não sei. Só sei que é tranquilo reservar na hora, e a entrada a MP já está incluída. Eu, particularmente, acredito que não seja preciso comprar a entrada de MP antes, separada do pacote da trilha. Mas essa é minha opinião, faça como vc se sentir mais confortável. Eu tbm comecei a ver a minha trip com uma antedecedência de 2 meses e correu tudo bem 🙂
      Boa sorte! Qualquer outra dúvida, me escreva.
      Um beijo

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