Vagabonding way of life – ou estilo de vida minimalista

Vagabonding way of life – ou estilo de vida minimalista

Terminei de ler recentemente o livro Vagabonding: an uncommon guide to the art of long-term world travel (Vagabonding: um guia incomum para a arte da viagem de longo prazo no mundo, em tradução livre), que fala, como o próprio nome sugere, sobre a viagem de longo prazo como uma possibilidade real para as nossas vidas, e o quanto esse plano é enriquecedor e, em certa medida, até necessário para encontrarmos a felicidade e nosso verdadeiro eu.

Os porquês disso tudo

Gastamos dinheiro com coisas que não precisamos realmente
Condenamos nossas viagens a curtas explosões frenéticas – o viajar se torna apenas mais um acessário necessário ao nosso tão valorizado “estilo de vida”- uma experência encapsulada que nós compramos assim como compramos outros objetos materiais.

Quanto mais associamos experiências com valor em dinheiro, mais acreditamos que dinheiro é do que precisamos para viver; e quanto mais associamos dinheiro à vida, mais nós nos convencemos de que somos muito pobres para comprar nossa liberdade

Viagem de longo prazo não é uma atitude imatura de um estudante; é ser estudante da vida cotidiana. Viagem de longo prazo não é uma rebelião contra a sociedade, é um ato de bom senso dentro da sociedade.

Vagabonding envolve você sair da sua vida normal por um período estendido – seja de semanas, meses ou anos – para viajar o mundo nos seus próprios termos.

Usar a era da informação para aumentar suas opções pessoais ao invés de seus pertences pessoais.

Vagabonding nunca foi regulamentado como um estilo de vida; é mais uma escolha pessoal dentro de uma sociedade que nos incita constantemente a fazer o oposto.
Já vivemos uma vida meio bizarra anyway: nos prendemos a uma casa e uma carreira, e usamos o futuro como uma espécie de ritual que justifica o presente.

Ganhar a coragem de perder aderência às chamadas certezas deste mundo. É recursar-se a adiar o viajar para algum outro momento da sua vida. É estar no controle das suas próprias circunstâncias ao invés de esperar passivamente que elas decidam sua vida.

Quando começar a levar o estilo de vida Vagabonding não se aplica – ele começa agora.

“The best part of one’s life earning money in order to enjoy a questionable liberty during the least valuable part of it”

Vagabonding não tem que ser um senso de obrigação, ou modismo. Não é um gesto social, não existe um protocolo, uma receita. É mais um ato pessoal que requer apenas o alinhamento do Ser.

“Wanting to travel reflects a positive attitude. You want to see, to grow in experience, and presumably to become more whole as a human being. Vagabonding takes this a step further: it promotes the chance of sustaining and strengthening this positive attitude. As a vagabond, you begin to face your fears now and then instead of continuously sidestepping them in the name of convenience. You build an attitude that makes life more rewarding, which in turn makes it easier to keep doing it. It’s called positive feedback, and it works”
Ed Buryn, Vagabonding in Europe and North Africa

O trabalho não é apenas um gerador de fundos, mas também um período de gestação; é tempo de sonhar com a viagem.

Férias meramente recompensam o trabalho. Vagabonding o justifica.

“This notion – that material investment is somehow more important to life than personal investment – is exactly what leads so many of us to believe we could never afford to go vagabonding. The more our life options get paraded around as consumer options, the more we forget that there’s a difference between the two. Thus, having convinced us that buying things is the only way to play an active role in the world, we fatalistically conclude that we’ll never be rich enough to purchase a long-term travel experience”

E buscar a simplicidade – ou o minimalismo – não quer dizer abdicar totalmente do consumismo, virar um monge, fazer greve de fome, rebelião, essas coisas. O minimalismo requer apenas um pouco de sacrifício pessoal: um ajuste dos seus hábitos e rotinas dentro da sociedade (esta já) consumista.

“By switching to a new game, which in this case involves vagabonding, time becomes the possession and everyone is equally rich in it by biological inheritance. Money, of course, is still needed to survive, but time is what you need to live. So, save what little money you possess to meet basic survival requirements, but spend your time lavishly in order to create the life values that make the fire worth the candle. Dig”?
Ed Buryn

Você começa o processo de simplificação – de minimalização, de “vagabondização” – ainda em casa, e isso te prepara mentalmente para as realidades da estrada, e torna o viajar uma mera extensão dinâmica daquelas alterações de vida que você já havia iniciado.

Vagabonding é para nenhum outra pessoa que não você mesmo. Se os outros consideram bobagem, não perca tempo tentando convencê-los; esta é a sua verdade, e você não tem que se desculpar, ou se justificar, por causa dela.

Levar uma vida minimalista – tanto em casa como na estrada – provavelmente te fará perceber (assim como vem fazendo comigo) que este é o seu jeito favorito de viver. A simplicidade não apenas te economiza dinheiro e te dá tempo em troca, mas também te torna mais aventureiro, mais aberto a contato com novas pessoas, novas experiências, seguir paixões e curiosidades – em última análise: te torna mais pleno, mais feliz.

“In this way, simplicity – both at home and on the road – affords you the time to seek renewed meaning in an oft-neglected commodity that can’t be bought at any price: life itself”

Uma coisa interessante sobre o ato de Vagabonding:
Você acaba encontrando coisas que não estava procurando. As coisas te encontram – e saiba: nada é por acaso nessa vida.
Você sonha com a viagem, os destinos, de uma determinada maneira, mas nunca é como você esperava; sempre é diferente, único, sempre acontecem coisas inesperadas. Chega a ser uma coisa até meio utópica. O chegar “lá”.
E é preciso estar preparado – ou até “treinado” – para este tipo de situação, de encontrar o que não estava procurando, de deixar as coisas certas te encontrarem no momento certo. De deixar a sincronicidade do universo agir. Exige centro em si mesmo – consciência e presença – o que só se adquire quando você se permite ter tempo para si, e viver a vida, a verdadeira vida, à sua máxima capacidade.

“The world is a book, and those who do not travel read only one page” – Santo Agostinho

Preparar-se é preciso! Não por saber onde exatamente onde você vai chegar, mas por saber que, apesar disso, você chegará lá. Isso significa que sua atitude é mais importante que o seu itinerário.

Nós não levamos a viagem, a viagem que nos leva.

“Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar”
António Machado, Cantares
“I don’t want to hurry it. That itself is a poisonous twentieth-century attitude. When you want to hurry something, that means you no longer care about it and want to get on the other things”
Robert M. Pirsig, Zen and the art of motorcycle maintenance
Frases Thoreau
“My greatest skill has been to want little”
“A man is rich in proportion to the number of things which he can afford to let alone”
“Superfluous wealth can buy superfluities only. Money is not required to buy one necessity of the soul”

Mas e viagens comuns?

O bacana disso tudo é que uma coisa leva a outra, a outra leva a uma, que leva a outra novamente. Hã? Assim, ó: quando você adota uma vida minimalista, você consegue viajar mais, pois guarda mais dinheiro (= ferramenta de troca) e é mais desprendido; quando você viaja mais, você passa a adotar um estilo de vida minimalista, pois acaba percebendo que bagagem demais (tanto no sentido figurado como literal) é peso desnecessário, só atrapalha, e acaba invariavelmente levando essa mentalidade para sua casa e sua rotina também. Ou seja, em qualquer ponta da história que você comece, você entra neste ciclo de retroalimentação positiva, muito saudável e de muito crescimento.

 

Por que eu me identifiquei tanto?
Pois eu percebi que já havia iniciado este processo, sem nem ao menos conhecer este termo. Foi (e está sendo) ogânico. E tudo que é orgânico é do coração. Rumo ao Vagabonding Way of Life!

E sobre isso y otras cositas más que falarei na parte 2 desta reflexão. Aguarde cenas dos próximos capítulos!

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