7 Cantos do Mundo

As atrações no topo do Monte Roraima

Um verdadeiro gigante pré-histórico vivo!

É isso que é o Monte Roraima. Ele e suas montanhas vizinhas constituem um dos lugares mais antigos do planeta. Um lugar que parou no tempo, mantendo suas características primitivas até hoje. Os tepuis, como são chamados este tipo de montanha (tepuy = montanha, na língua indígena Pemon), não se destacam pela sua altura magnífica (o Roraima mesmo chega no máximo aos 2.880 m), mas pelo seu formato peculiar de “mesa”: possuem paredões verticais e seu topo é na verdade um imenso platô. Este tipo de montanha não existe em nenhum outro canto do mundo!

Roraima (direita) e Kukenan (esquerda)

Kukenan (esquerda) e Roraima (direita)

Isso por si só já é motivo suficiente para no mínimo causar uma coceirinha na sua curiosidade, não é?

E como é lá em cima? Se assim como eu você levou quase que ao pé da letra a definição de “mesa” para este tipo de montanha e achou que o topo do Monte Roraima era uma superfície plana e uniforme, você errou feio, errou rude, errou na mosca! 😀

O topo é bastante irregular, com variações de alturas de mais de 300 m, muita pedra, muita lama e muita, muita água (afinal, estamos falando da montanha conhecida como Madre de las águas, pois é aí que nasce uma porção de rios da região). O microclima específico do topo faz com que haja espécies endêmicas de fauna e flora: a vegetação compreende musgos, bromélias, plantas-carnívoras e pequenas árvores, e a fauna – que apresenta pouca variedade – é composta basicamente por aves, insetos, lagartos e pequenos anfíbios.

Nota mental: O nome Roraima vem das expressões da língua indígena Pemon: Roroi (= verde azulado) e Ima (grande). Assim, Monte Roraima significa Gigante Verde Azulado, e a pronúncia correta é “Roráima”, com A aberto.

É muito curioso como a paisagem no topo do Monte Roraima muda drasticamente de uma hora para outra conforme se caminha: de regiões de rochas, nada mais do que rochas cinzentas a “campos” verdes e floridos; de charcos lamacentos a lagos e cachoeiras em rochas douradas; cavernas, paredões… e por aí vai. É uma coisa de louco! De louco primitivo.

No meio dessa mistureba de paisagens maneiras, é possível destacar algumas atrações principais para visitar. A maioria está em território venezuelano (já que 85% do tepuy pertence a este país), e é também por este lado que se sobe até o topo. Veja então o que você pode encontrar por lá.

Lado Venezuelano


La Ventana

É o mirante mais conhecido – e mais incrível – do tepuy. Dele, você avista o Kukenan, montanha vizinha ao Roraima. Como tudo lá em cima é loteria, você tem que dar a sorte de o tempo estar aberto para ter uma visão legal da paisagem. Suas chances aumentam se for bem cedinho, em torno das 7h-8h. Se for tarde – ou der azar mesmo – é possível que as nuvens estejam cobrindo o topo, de modo que não se consegue ver nadica de nada. Já haver nuvens na parte baixa, entre as duas montanhas, me pareceu uma vantagem, pois criou aquela sensação de estar no céu (no paraíso, num sonho).

Monte Roraima - La Ventana

Maverick

A Pedra Maverick – que assim foi apelidada pelo seu formato semelhante a este carro da década de 60/70 – é o ponto mais alto do tepuy, chegando a 2.880m. Uma subidinha de cerca de 15 minutos te leva ao seu topo, e a vista – como não era de se esperar diferente – vale totalmente (mais) este esforço.

Abismo da Guiana

Próximo à La Ventana fica um pequeno mirante que dá vista a outra porção do próprio Roraima, conhecido como abismo da Guiana. Não preciso nem explicar por quê, né? Mira:

Monte Roraima - Abismo da Guiana

Catedral

Formação rochosa em um paredão, que dizem lembrar uma catedral (que eu não consegui visualizar muito bem). O legal deste lugar é uma cachoeira fechada em uma espécie de gruta, com pedras amareladas no solo e musgos verdinhos e fofinhos nas paredes – parece um cenário de contos de fadas. A água é muuuuito gelada e cai com muita força na cachola, proporcionando um banho extremamente energizante. Não hesite; respire fundo e vá, te garanto que você não vai se arrepender.

Jacuzzis

Uma sequência de piscinas na pedra, de cor amarelo-dourado. Gelada? Muito! Mas “ideixável” de entrar. Cristais são energizantes, e o fundo das jacuzzis é forrado deles.

El foso

Um lago situado em um fosso largo e profundo. Dependendo das condições das rochas, é possível descer até a água para banhar-se – o que não foi possível quando estive lá. É uma atração mais de passagem, mas que super vale a visita.

Monte Roraima - El foso

Vale dos Cristais

É um vale cheio de cristais (ah, ma é mêmo, jura?). Bem, é isso aí. É um vale cheio de cristais pequenos no solo, e algumas pedras maiores. Sim, é muito bonito, e não, você não pode levar um cristal de souvenir para casa. O que é da montanha deve ficar na montanha. Ponto final.

Mirante do Guácharo

A 5 minutos de distância do acampamento Guácharo tem um baita de um mirante para apreciar não apenas a paisagem do caminho de onde viemos (comunidade indígena Paraitepuy), mas principalmente para (pensar na morte da bezerra e) admirar um belíssimo pôr do sol.

Monte Roraima - Mirante do acampamento Guácharo

Campo de golfe

Não, você não vai precisar tirar o seu equipamento de golfe do armário (tá, este aqui não tem um nome tão auto-explicativo). Trata-se apenas de uma região do tepuy mais plana, mais aberta, com partes de solo de areia. É onde pousa o helicóptero, quando requisitado. Também é apenas passagem – e outra paisagem diferente, dentre tantas outras possíveis.

Foto: Nóris Botelho

Foto: Nóris Botelho

Lado Brasileiro


 Lago Gladys

A cerca de 3 horas de caminhada do acampamento Gruta do Quati fica o lago Gladys. Não é possível nadar nele, pois o avistamos de cima, a partir de um pequeno mirante. Deve ser muito bonito, mas infelizmente o pegamos com muita névoa – na verdade, dizem que é difícil pegá-lo aberto. Isto foi o máximo que pudemos admirar:

Monte Roraima - Lago Gladys

Mirante do Quati

A 15 minutos de distância do acampamento Gruta do Quati fica um outro baita mirante, que nos permite apreciar parte da imensidão da Floresta Amazônica. Mas não é só isso: o mais legal-lindo-mágico-f*** deste lugar é o nascer do sol. Posso afirmar que foi o momento mais mágico que já passei em toda minha vida. Sério.

Monte Roraima - Nascer do sol no mirante do Quati

Lado Guianense


Proa

O cartão postal do Monte Roraima é a chamada proa, que realmente lembra a proa de um navio. Infelizmente, este lado do tepuy não é facilmente acessível. É distante, sem trilhas demarcadas, portanto perigoso. As agências, até onde sei, não fazem este trajeto. Porém, caso você tenha oportunidade de $obrevoar o Roraima de helicóptero – seja por opção ou falta de (no caso de algum acidente) – você poderá ter esta magnífica vista:

Foto: Ana Luísa Paiva

Foto: Ana Luísa Paiva

Marco das 3 fronteiras – Ponto Triplo


Marco da tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana (inglesa). Infelizmente, por disputas de territórios, a face da pirâmide correspondente à Guiana está depredada. Foi a segunda vez que tive a chace de estar em um marco de tripla fronteira; contrariando algumas leis do universo, aqui é possível estar em mais de um lugar ao mesmo tempo – e essa sensação é engraçada!

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Evidentemente, o Monte Roraima é muito mais do que atrações. Quis aqui apenas dar uma pincelada nas coisas bacanas que você, digamos, vai poder registrar em fotos para mostrar em casa depois da viagem. Mas a sua relação com ele vai muito além do que imagens podem captar. Se uma viagem em meio à natureza normalmente já nos leva à introspecção, esta aqui é ainda abençoada pela energia especial desta montanha. O Roraima te proporciona uma experiência intensa e única de autoconhecimento. Ele te faz um convite quase que obrigatório à reflexão sobre as nossas origens, valores e sonhos. É uma coisa louca, que só quem foi entende. E que eu viajei na maionese tento te explicar aqui.

Monte Roraima - Nascer do sol no mirante do Quati

GRATIDÃO 

Data da trip: março de 2015.

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Sobre a autora Ver todos os posts Site da autora

Laura Sette

Sou paulistana, bióloga, viciada em viagens, trilhas, livros e café, curiosa incansável e nerd assumida. Considero-me uma eterna aprendedora, e estou em constante busca da minha melhor versão. Acredito no poder transformador do autoconhecimento, e que, com amor e verdade, somos capazes sim de mudar o mundo! Moro atualmente na Dinamarca, como parte do grande plano de conhecer os 7 Cantos do Mundo.

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2 ComentáriosDeixe um comentário

  • Laura, fazer o Monte Roraima estão nos meus planos para o próximo mês de julho, e ler o que vc escreveu sobre ele e sua jornada só me deixar com vontade de ir o quanto antes. Se pudesse já iria agora mesmo, rsrs. Obrigada por compartilhar essa experiência tão linda e inspiradora. Espero ansiosa pela minha vez. Parabéns pelo blog! Abraços.

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