7 Cantos do Mundo

Inverno na Dinamarca: eu sobrevivi!

Choque de latitude: ritmo circadiano e outras mudanças das terras nórdicas

Mudar-se para a Dinamarca é adptar-se a uma nova realidade climática. Não significa suportar um inverno rigoroso, e sim conviver com o frio quase que constantemente. Afinal, estamos falando de um país cuja média anual de temperatura é 7,7°C! É uma mudança e tanto para qualquer brasileiro.

Portanto, foram 3 meses de inverno per se, mas quase 6 meses de muito frio. Aquele frio que incomoda, que doi o rosto, que adormece os dedos das mãos e dos pés. Pros padrões brasileiros, o inverno nos Nórdicos começa ainda no outono (e pelo visto, se estende até a primavera), com suas temperaturas  médias abaixo ou em torno dos 10°C. Ou seja: desde que cheguei (começo de outubro), estou no “inverno”.

Este novo clima, principalmente ao enfrentar o inverno, me ensinou algumas coisas, dentre elas que o nosso ritmo circadiano se altera significativamente. Vou contar para vocês um pouquinho sobre isso!

Pensei que o inverno era tipo o Polo Norte, mas errei na mosca

Eu, na minha santa ignorância, quando pensava em “inverno” e “Dinamarca” na mesma frase, logo imaginava um cenário à la Frozen:

A verdade é que frio negativo e neve são quase que a exceção por aqui. Isso mesmo, não neva muito (quase nada, na verdade – pelo menos assim foi neste inverno), e a média da temperatura fica em torno de 0°C, o que significa que: sim, chega a negativas, mas não, não é a regra desta estação por aqui. Tampouco chega a muito menos do que -2°C.

Temperaturas muito negativas são exceção, não a regra. Medição em 5 de janeiro de 2017.

Em janeiro, teve uma semana bem fria, em que a temperatura chegou a -9°C! Mas foi só um dia ou dois. Em fevereiro, teve um dia que nevou o dia inteirinho sem parar nem um segundo. E no dia seguinte, um pouquinho mais. Foi a sensação do momento (pelo visto até para os dinamarqueses). A cidade ficou toda branquinha, super fofa!

Mas daí, em questão de poucos dias, a neve já havia derretido toda e voltou tudo ao cenário normal.

Porém, novamente: o fato do inverno não ser super rigoroso não significa que o frio não seja, digamos, suficiente. Ainda que as temperaturas não sejam tão baixas como em outros lugares na mesma latitude, o frio é bastante incômodo! É de doer a mão, o rosto, as orelhas… Desses que você precisa se encher de camadas e ainda assim não conseguir ficar tranquilão lá fora.

E isso tem a ver com a próxima coisa que aprendi.

Ter que usar um monte de roupa (e sempre a mesma) cansa

A gente acha que fica elegante no frio. Isso pode ser verdade para um frio de São Paulo, por exemplo. A verdade sobre o frio da Dinamarca é que a gente veste todo dia praticamente a mesma roupa – tipo aquele único casacão de frio, aquelas únicas poucas malhas, aquelas únicas poucas opções de calça e sapato que aguentem esse frio (e, às vezes, neve).

Sem falar no ritual eterno que é vestir-se para sair de casa: bota segunda pele, bota calça térmica (a famosa ceroula!), bota meia 1, bota meia 2, bota calça, bota malha, enrola o cachecol no pescoço, veste as luvas, bota o gorro, calça as botas, veste a jaquetona corta-vento.

Como eu me sinto quando vou me vestir para sair de casa na Dinamarca no inverno…

Dias curtos são difíceis

Principalmente para uma pessoa diurna como eu. Em 21 de dezembro de 2016 (solstício de inverno, dia mais curto do ano), o sol nasceu às 8h37 e se pôs às 15h38. Pense em um dia com duração de apenas 7 horas, 1 minuto e 51 segundos! É ou não é de pirar o cabeção?

Foram muitos e muitos dias com pouco tempo de sol. Isso quando havia sol, né? Até que demos sorte e pegamos bastantes dias ensolarados por aqui, mas obviamente não é igual aos trópicos.

Durante fim de novembro, dezembro e parte de janeiro, às 16h00 já estava de noite, escuro total. E os dias cinzas, somados ao tempo curto de luz, deixam o clima meio pesado. A gente acaba se acostumando, como com tudo na vida, mas bom não é, entende? Daí não tem jeito, tem dias que batem aquele mau humor e aquela deprê 🙁

21/11/2016 às 15h52 (e ainda nem era inverno…)

PS: dias curtos são difíceis, mas também não deixam de proporcionar belos pores do sol (ainda que às 15h40 da tarde 😛 ):

O efeito trator (ou elefantes invisíveis)

Um cansaço extremo e infundado tomava conta da gente durante o inverno. Isso era especialmente perceptível na hora de sair da cama. Todo dia, acordávamos como se um trator tivesse passado em cima de nós!

Neste período, eu dormi mais cedo e por mais horas do que em qualquer outro momento da vida – eu sentia sono cedo, pelas 22h (já que já era “noite” desde às 16h00) e acordava tarde (pois amanhecia muito tarde também). Mas não adiantava. Eu acordava quebrada como se não tivesse dormido nada!

Não me aguentava de leseira e letargia. Nunca tinha me sentido com a energia tão baixa assim antes! E eu ouvi a mesmíssima coisa de vários brasileiros aqui, e de minhas amigas brasileiras que estão morando em locais variados do hemisfério norte (Europa e EUA).

Só pode ser culpa dos elefantes invisíveis!

O apetite e a rotina de alimentação mudam

A minha alimentação também se alterou nas terras nórdicas. Sinto fome em horários diferentes do que sentia antes, e tenho comido coisas diferentes em cada período também.

Por exemplo: tenho tomado café da manhã bem mais tarde (por acordar mais tarde também), e aí muitas vezes pulo o almoço (que seria 12h00, 13h00), acabo comendo um lanche (aqui come-se muito sanduíche) no meio da tarde, e daí vou fazer uma refeição de verdade apenas à noite.

Mudei também o tipo de coisa que como em cada refeição. Digamos que eu superei aquele formato clássico da refeição brasileira “arroz, feijão, salada e mistura”. Agora faço uns pratos mais “aleatórios”, misturo uns legumes, faço um ovo, e pronto, taí uma refeição.

Outro ponto digno de nota: tenho comido MUITO menos carne também! Pode ser meu nível de consciência aumentado com minhas muitas auto-práticas espirituais, pode ser porque aqui não é tão barato, enquanto os vegetais são lindos maravilhosos, não-caros e a maioria orgânico – ou pode ser tudo isso ao mesmo tempo. Fato é que tenho comido mais pratos vegetarianos e me sentido bem por isso 🙂

Do que eu mais senti (e continuo sentindo) falta

Pode parecer besta, mas uma coisa da qual sinto muita falta é de poder andar à vontade na rua, sem precisar colocar todas as roupas do armário ao mesmo tempo. Poder andar só de camiseta, sabe? E colocar um vestido e andar de rasteirinha então? Nossa, sonho!

Mas do que mais senti falta, e ainda sinto, é de poder estar mais ao ar livre, na natureza, na montanha, ou até mesmo na praia. Sinto falta do mato! E de fazer atividades outdoor (hiking, trekking). Esse tipo de atividade aqui no inverno não rola mesmo… tem que esperar esquentar (“esquentar”). Sinto muita falta disso. Natureza é a minha meditação e a minha terapia!

Percebi (mais ainda) como somos abençoados com o clima no Brasil, onde – ainda que existam épocas melhores para estar na praia ou na montanha – podemos estar em contato com a natureza o ano todo.

Saudade de mato, cachoeira, montanha… | Foto: Alexandre Magno

Mas o importante é: o inverno acabou e eu sobrevivi! 😀 Dias melhores virão. A primavera começou oficialmente ontem, dia 20 de março de 2017. O sol está perceptivelmente mais brilhante, os dias muito mais longos (sol nascendo pelas 6h00 e se pondo pelas 18h30), e as temperaturas chegam à casa dos 10°C!

Estou ansiosa para ver as árvores com folhas verdinhas, os parques floridos e tudo o mais de bom que esta bela estação tem a oferecer! 🙂

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Sobre a autora Ver todos os posts Site da autora

Laura Sette

Sou paulistana, bióloga, viciada em viagens, trilhas, livros e café, curiosa incansável e nerd assumida. Considero-me uma eterna aprendedora, e estou em constante busca da minha melhor versão. Acredito no poder transformador do autoconhecimento, e que, com amor e verdade, somos capazes sim de mudar o mundo! Moro atualmente na Dinamarca, como parte do grande plano de conhecer os 7 Cantos do Mundo.

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22 ComentáriosDeixe um comentário

  • Oh Laura, que post maravilhoso. Essa mudança seria difícil para um europeu, que fará para um brasileiro. Não é à toa que os índices de depressão disparam à medida que se “caminha” para norte. E esses elefantes danados hein??!!
    Abraço desde Portugal

    • Pois é, Ruthia, faz muita diferença para nós brasileiros. Entendi um pouco melhor sobre os altos índices de depressão. Mas que bom que já passou! hehe Esses elefantes são mesmo uns danados! haha bjos

  • Oi, Laura!
    Estive na Finlândia em 2016 e esta rotina de frio foi algo que me deixou bem curiosa. Fui na primavera, então vi um cenário bem diferente, mas que me deixou interessada em voltar para o Norte da Europa em outra estação do ano.
    Obrigada por compartilhar em detalhe à forma de como sobreviver e os hábitos tão diferentes dos nossos no Brasil. Boa sorte por aí! 😉

    • Obrigada, Gabi! É uma rotina bem diferente mesmo, cheia de sensações novas. É um pouco difícil no começo, mas, como dizem os Titãs, “não há nada a que você não se acostume”, não é mesmo? hehe Ainda bem! Obrigada pelo comentário! bjos

  • Wow, fez muito frio eim! Não sei se eu aguentaria… talvez por essas paisagens lindas. E falando em paisagem linda, o que é esse por do sol em Copenhagem eim? Sensacional!
    Obrigado por compartilhar!

    • Depende do seu parâmetro. Tempos atrás, eu diria que 2°C era “muito frio”. Agora, já aturo bem essa temperatura. Como disse, as negativas não são a regra aqui (ainda bem pra gente, né?? 😀 ) E sim, os pores do sol aqui são sensacionais! O céu é de babar! Obrigada pelo comentário! 🙂

    • Verdade, Guilherme, usar todas as roupas do armário de uma só vez cansa bastante 😛 Mas bem, a vantagem daqui é ter calefação em todas as casas. Mas quando a gente sai na rua, ai ai ai…
      Obrigada pelo comentário! 🙂

    • Pra pegar neve aqui tem que dar muuita sorte, vir “naquele” dia em que neva hehe Foi um pouco difícil por ser algo diferente do que estávamos acostumados, mas foi MUITO menos difícil do que pensei! hehe Obrigada pelo comentário! 🙂

  • Oi Laura!!!! Seu post foi muito elucidativo, he he he… Eu também imaginava o inverno por aí algo tipo Frozen mesmo, ha ha ha. Ainda bem que você esclareceu e vou mudar meu pensamento a partir de agora… Elefantes invisíveis? Mais uma coisa que aprendi… Nunca tinha ouvido falar nisso…
    E quantas mudanças, né? Depois de tantas, vamos ver como você se sai na primavera… Acho que deve ser um pouco mais light né?
    Beijos
    Carolina (também sou bióloga, que show!!!)

    • Oi, Carolina! Adoro encontrar biólog@s por aí, que legal! 😀
      Curtiu as comparações? hahaha Vivendo e aprendendo, né? A primavera já chegou chegando, com dias lindos e flores já dando as caras. Depois eu conto sobre ela também no blog 😉
      Obrigada pelo comentário! bjos

    • Verdade, Catarina, muda completamente! Imagina eu, que sou super adepta da vida ao ar livre, das atividades na natureza!… A parte mais difícil foi ficar longe disso 🙁
      Mas tudo na vida passa (até uva passa, né? hehe)
      Obrigada pelo comentário! 🙂

  • Sempre ouvi falar que muito tempo no escuro e no frio te deixa com baixo astral, mas nada melhor quando chega o clima quente e as folhas das árvores brotando novamente. Essa postagem está muito muito completa, tudo bem explicado, me senti vivendo na Dinamarca. Parabéns!

    • Que legal que consegui ilustrar bem o cenário, Cleber, obrigada pelo feedback! Bate uma deprezinha de vez em quando, mas acho que é tudo parte da adaptação de brasileiros, sempre acostumados a um clima tããão amigável, não é mesmo? Agora com a primavera a coisa está mudando de figura. Depois volto aqui pra contar 😉
      Obrigada pelo comentário! 🙂

  • Lembro quando tive a oportunidade de conhecer a europa em dezembro por alguns dias e, realmente, quando chegamos no Brasil e voltamos a sair só com uma peça ou duas de roupa foi uma sensação de alívio hehe

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